Entrevista Marta Seara – Terapeuta da Fala

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Entrevista Marta Seara – Terapeuta da Fala

Qual é a sua especialidade, e no que é que consiste?

A minha especialidade é a Terapia da Fala, uma profissão que pertence à área da saúde, sendo que sou Terapeuta da Fala. O Terapeuta da Fala é então o profissional de saúde responsável por fazer a prevenção, avaliação e intervenção das perturbações da comunicação humana. Isto engloba a compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, outras formas de comunicação não-verbal e também a deglutição.
O Terapeuta da Fala intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, sendo que o nosso objetivo primordial é otimizar a qualidade de vida do paciente permitindo que possa comunicar em todos os contextos em que está inserido, usando para isso todas as ferramentas e estratégias que tenha ao seu dispor.

Fale-nos um pouco do seu percurso profissional e dos seus principais objetivos.

Eu frequentei o curso de Terapia da Fala na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro de 2009 a 2013, sendo que acabei por fazer também na mesma instituição, o Mestrado em Ciências da Fala e da Audição durante o ano de 2013 e 2014. Após a conclusão dos meus estudos comecei a trabalhar em alguns centros, em algumas clínicas e a nível particular. No presente momento o meu trabalho é desenvolvido em vários locais em simultâneo e com pacientes de várias idades.
Quanto aos meus principais objetivos, estes passam por continuar a desempenhar a minha função de Terapeuta da Fala e futuramente especializar-me nas áreas que me despertam mais interesse e quem sabe dedicar-me somente a elas.

De que modo encara o envelhecimento?

Eu encaro o envelhecimento como fazendo parte das várias etapas que constituem o nosso crescimento enquanto seres humanos. Tal como todas essas etapas é uma fase de descoberta, de estabelecimento de novos desafios e objetivos. Penso que existe algum medo e receio quando se fala no envelhecimento porque temos a ideia que este significa um finito da nossa vida e não sabemos como encarar isso. Penso que não o devemos encarar assim, mas como mais uma etapa da nossa vida e da qual vamos desfrutar em plenitude.

Da sua experiência, o quão importante é os seniores apostarem numa vida ativa para prevenir problemas de saúde?

Eu cresci numa sociedade em que o tema saúde foi sempre bastante falado e discutido, sendo que cada vez mais o é, alertando toda a população para os cuidados que devemos ter enquanto jovens e adultos para que isso se reflita numa fase posterior, que é a vida sénior. Desta forma, sou completamente apologista de uma vida ativa em que as pessoas façam exercício físico na vertente que mais lhe agrade, que tenham uma alimentação cuidada, que tenham atividades de lazer que lhes tragam prazer e felicidade e que sejam acima de tudo felizes. Pessoas ativas e de bem com a vida e consigo mesmas são pessoas mais felizes e seniores mais felizes.

Defina o que é, para si, dar vida à idade.

Penso que dar vida à idade é não deixar de fazer nada daquilo que gostamos e que nos faz feliz somente porque temos mais alguns anos ou porque achámos que já não podemos. Podemos sim! Só temos que nos adaptar, perceber o que conseguimos fazer e tentar arranjar formas de conseguir fazer tudo o que nos agrada. Acho que as palavras de ordem que as pessoas devem ter sempre na mente é adaptação e resiliência, adaptar a novos ambientes e formas de viver e acima de tudo nunca desistir de nós e da nossa felicidade.