Terapia à distância

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Terapia à distância

O que é?

A terapia à distância é desenvolvida através do uso de tecnologias de informação e comunicação como meio de prestar serviços relacionados com saúde quando o prestador e o cliente estão em diferentes localizações físicas. São vários os termos utilizados para descrever esta forma de serviço á distância, tais como: tele reabilitação, tele terapia, tele cuidado, tele medicina e tele prática, entre outros.

Como se desenvolve?

A terapia à distância pode referir-se a interações síncronas (em tempo real) entre terapeuta e cliente (ex., videoconferência, monitorização remota, interações virtuais usando aplicações (‘‘apps’’) e tecnologias de jogos); e/ou transmissão de dados (ex., vídeo, fotos, documentos, email) assíncronas (isto é, armazenamento e transmissão) pelo prestador do serviço e/ou pelo próprio cliente.

E nós, no Centro Colibri, como fazemos?

Diariamente, o nosso modelo de atuação sempre foi muito próximo dos nossos clientes e famílias por isso quando a 16 de Março encerramos as nossas instalações a preocupação imediata foi perceber de que forma seria possível manter este acompanhamento permanente.

Nas duas primeiras semanas de quarentena fomos acompanhando telefonicamente as famílias, informando e sensibilizando para o problema que todos estamos a viver e em simultâneo orientado na prestação de cuidados e na manutenção do processo terapêutico em casa (com matérias previamente fornecidos pela nossa equipa).

Com o avançar dos dias, a equipa técnica começou a perceber que seria urgente criar novas estratégias de intervenção porque a necessidade de confinamento mantinha-se.

Atualmente, conseguimos acompanhar todos os nossos clientes através das seguintes intervenções:

  1. Guião de exercícios diários enviados semanalmente personalizados às características individuais de cada cliente
  2. Sessões de movimento e/ou estimulação cognitiva por videoconferência (2 a 3 vezes por semana com uma duração de 30 a 50 minutos)
  3. Acompanhamento permanente dos cuidadores para apoio emocional e orientação (por chamada telefónica e/ou email)

Quais as principais dificuldades?

A maior dificuldade que sentimos diariamente é ao nível dos cuidadores que neste momento revelam algum cansaço e sobrecarga física e emocional, pois deixaram de ter os seus momentos de descanso e alívio que eram proporcionados enquanto os familiares estavam connosco em contexto de intervenção.

De um modo geral, os nossos clientes evidenciam-se também com humor tendencialmente mais triste, apático e desmotivado e ao nível dos comportamentos agudizaram-se algumas das alterações.

O que mais defendemos e praticamos é a proximidade ao nosso cliente e neste momento é exatamente aquilo que não conseguimos fazer, perdemos o conforto do abraço e a segurança do toque na mão ou no ombro.

A verdade é que as doenças da nossa população alvo (doenças degenerativas e progressivas) não estão de quarentena e dia-a-dia seguem o seu curso evolutivo. Pois aquele ‘travão’, como gostamos nós de apelidar às terapias não farmacológicas, neste momento não consegue atuar na sua plena ação.

Quais as principais vantagens?

A principal vantagem é o cliente e o cuidador sentir que continuamos ‘aqui’ mesmo que não estejamos fisicamente próximos.

A maioria dos nossos clientes apresenta quadros de Demência ou alterações cognitivas e quando conseguem observar/ver os terapeutas através do ecrã percebe-se claramente os benefícios e o poder das novas tecnologias no bem-estar emocional destas pessoas.

Num destes dias, uma das terapeutas conta que a esposa de um dos nossos clientes dizia que “ele parece outro quando está convosco ao telefone”, aqui percebemos a enorme importância que o nosso papel e a nossa intervenção (mesmo sendo à distância) traz na vida das pessoas.

Solicitamos também aos cuidadores a manutenção das rotinas, nomeadamente no que respeita aos horários das atividades diárias para que haja também um reconhecimento dos momentos de estimulação/intervenção.

A manutenção das tarefas de estimulação e treino são preponderantes para ações muito simples do nosso dia a dia, mas que numa pessoa com Demência, podem assumir uma complexidade muito grande, tal como por exemplo: continuar a escrever o seu próprio nome.

Por isso o nosso esforço passa sempre por incentivar os cuidadores a dar continuidade a algumas das tarefas que diariamente desenvolvíamos com os nossos clientes. Não é possível tudo, mas por pouco que seja será sempre muito! 

No final de mais um dia de trabalho à distância, que muitas vezes é interrompido pelos filhos que passam por trás da câmara, pela rede que nem sempre colabora, pelos ruídos de fundo dos vizinhos, desligamos então o computador, o telemóvel e o tablet e regressamos à nossa família com o sentimento que fizemos o nosso melhor e esperança que vai tudo correr bem.

Continuaremos aqui para ‘Dar Vida à Idade’